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Literatura

A sombra de Alexandre Dumas

05/12/13

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Matej Kastelic/Shutterstock

Criador de obras como Os Três Mosqueteiros e Conde de Monte Cristo só teve corpo levado ao Panteão de Paris 132 anos após sua morte

Edição: Ana Loiola

Neto de um marquês com uma negra, Alexandre Dumas morreu em 5 de dezembro de 1870 e foi sepultado no mesmo local onde nasceu: Villers-Cotterêts. Só em 30 de novembro de 2002, o então presidente francês Jacques Chirac promoveu uma cerimônia em que seu corpo foi exumado e levado para o Panteão de París, o mausoléu onde estão célebres escritores e pensadores franceses como Voltaire. (Veja mais.)

Abaixo, saiba mais sobre Alexandre Dumas, os segredos que cercam a história do escritor e conheça o romance-folhetim, gênero em que o autor foi percursor.

Reescrevendo a história

Por Luis Vinicius Belizário, especialista em Cultura Afro-Indígena

Tahir Cartoon/Shutterstock
Alexandre Dumas
Os adeptos da literatura e do cinema dificilmente dirão que desconhecem a história dos três mosqueteiros, D’Artagnan ou do Conde de Monte Cristo, todas elas de autoria de Alexandre Dumas. Grande parte daqueles que confirmam conhecer tais obras sabem que elas pertencem a Dumas, mas uma aposta é quase certa: a grande maioria desconhece que ele era um negro.

Romancista e filho do haitiano Thomas-Alexandre Dumas, um poderoso general, Alexandre Dumas nasceu em 24 de julho de 1802 e faleceu em 5 de dezembro de 1870. Ao contrário de muitos gênios da história, Dumas teve seu talento reconhecido em vida, gozou de sucesso financeiro e fama e era o mais célebre e requisitado escritor de sua época, ao lado de Honoré de Balsac . Apesar de tudo isso e das grandes influências aristocráticas que cultivou em vida, a sua história sempre foi marcada por ter origem afro. O que muitos não sabem é que, apesar dos romances de aventura, Dumas também escreveu contra o colonialismo e sobre questões raciais, mas sofreu com o racismo e com o preconceito até depois de sua morte.

Alexandre Dumas foi sepultado em Villers-Cotterêts, onde nasceu e permaneceu por lá até novembro de 2002, longe do reconhecimento e das honras que os franceses costumam prestar postumamente aos seus célebres cidadãos. O presidente Jacques Chirac  ordenou que o corpo do autor fosse exumado e em uma cerimônia digna de cinema: os restos mortais de Dumas adentraram o Panteão de París em um caixão carregado por quatro homens vestidos como Athos, Porthos, Aramis e D’Artagnan, seus imortais personagens de Os três mosqueteiros. O descanso de Dumas no Panteão retira a sombra da injustiça e do racismo que ainda pairava sobre sua imagem.

nexus 7/Shutterstock
Panteão de París
O Panteão de París é um imenso mausoléu onde escritores e grandes filósofos franceses estão sepultados. Jacques Chirac, em seu discurso, disse: "Contigo, nós fomos DArtagnan, Monte Cristo ou Balsamo, cavalgando pelas estradas da França, percorrendo campos de batalha, visitando palácios e castelos. Contigo, nós sonhamos!". Após a cerimônia, o presidente francês concedeu uma entrevista e reconheceu que a ausência de Dumas no Panteão foi um ato de racismo, mas que aquele dia era um marco, pois a França reparava um erro do passado.

Estão sepultados ou possuem ao menos um memorial no Panteão figuras como Denis Diderot , Jean-Jacques Rousseau, René Descartes, Victor Hugo e Voltaire. Tradicionalmente, a França sempre produziu grandes filósofos e escritores, mas nenhum deles foi tão lido quanto Alexandre Dumas. Suas histórias inspiraram mais de duzentos filmes e suas traduções já atingiram quase cem idiomas.

Analisando esses números, sua tragetória e também o discurso do presidente Jacques Chirac, podemos afirmar sem receio que Alexandre Dumas fez o mundo sonhar com seus romances. O que muitos de nós jamais havíamos sonhado é que Dumas tinha uma origem negra e, assim como a maioria dos negros da diáspora, a sua história havia sido marcada por injustiças e pelo racismo.

“No próximo capítulo...”: Alexandre Dumas e o folhetim

Por Kleber Santos, especialista em Literatura

A seguir, conheça um pouco sobre Alexandre Dumas, um dos pais do romance-folhetim, e sobre este gênero que é essencial para a compreensão da literatura romântica e de muitas obras produzidas em diferentes mídias atualmente.

Bruna Tiso e Gisele Toledo
Passe o mouse pelo infográfico e clique para ler as informações


Tema: Reescrevendo a história

Disciplina(s): Cultura afro-brasileira

Matriz de Referência de Ciências Humanas e suas Tecnologias

Resumo: O talento e a genialidade de Alexandre Dumas foram em partes capazes de superar o racismo existente em sua época e o escritor francês gozou de fama, dinheiro e prestígio em vida, mesmo com perseguições e injustiças, mas após sua morte ele tornou-se vulnerável. Identificar as institucionais estruturas do racismo para depois eliminá-las é a função deste plano de aula.


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